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Sequans vende 314 BTC e encerra estratégia de reserva em Bitcoin

Sequans vende 314 BTC e encerra estratégia de reserva em Bitcoin

Sequans Communications vende os últimos 314 BTC e encerra estratégia de reserva em Bitcoin, juntando-se a pelo menos nove empresas que saíram do modelo em 2026.

Pontos principais

  • Sequans Communications vendeu os 314 BTC restantes, zerando uma posição que já chegou a 3.200 BTC
  • A empresa captou 384 milhões de dólares em junho de 2025 para montar a estratégia; saiu menos de 15 meses depois
  • Ao menos 9 empresas liquidaram ou abandonaram reservas em Bitcoin em 2026, segundo levantamento da VanEck
  • Relatório da DWF Ventures aponta que apenas 4 das 20 maiores empresas do setor ainda negociam acima do valor de seus criptoativos

A Sequans Communications, fabricante francesa de semicondutores, concluiu a saída completa de sua estratégia de reserva em Bitcoin ao vender os 314 BTC restantes em seu balanço, encerrando uma posição que chegou a superar 3.200 BTC. A empresa informou o desfecho nesta quinta-feira, afirmando que a decisão permite refocar nos negócios principais de internet das coisas (IoT) celular e rádio definido por software.

Segundo a companhia, os recursos obtidos com as vendas de Bitcoin ao longo de 2025 e 2026 foram usados para quitar integralmente a dívida conversível emitida quando a estratégia foi lançada. O resultado é um balanço sem criptomoedas e sem dívidas além de obrigações de pesquisa e desenvolvimento financiadas pelo governo francês.

“O Bitcoin é um ativo de primeira linha e um investimento de longo prazo convincente.”

Georges Karam, CEO da Sequans Communications (declaração ao lançar a estratégia, em junho de 2025)

A trajetória da Sequans ilustra a velocidade com que o modelo se deteriorou. A empresa lançou a estratégia em junho de 2025 após captar 384 milhões de dólares em ações e debêntures conversíveis. Menos de seis meses depois, em novembro de 2025, vendeu 970 BTC para resgatar metade da dívida. Em maio de 2026, declarou formalmente que “não estava mais perseguindo” a estratégia e que monetizaria o restante das posições ao longo do tempo.

Onda de saídas em 2026

A Sequans não está sozinha. Segundo levantamento de Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck, ao menos nove empresas liquidaram ou abandonaram estratégias de reserva em Bitcoin ou cripto em 2026, além de várias outras que reduziram suas posições.

Bitwise: nenhuma instituição vendeu cripto na queda de 50%

Entre os casos mais expressivos está a britânica Satsuma Technology, que em julho de 2025 captou 100 milhões de libras (135 milhões de dólares) em notas conversíveis para ampliar sua reserva de Bitcoin, num recorde para o Reino Unido. Um ano depois, os acionistas votaram por devolver praticamente todo o capital, e a empresa autorizou o encerramento das operações e a venda dos 669 BTC em carteira.

Bitdeer, Genius Group e Prenetics também liquidaram integralmente seus Bitcoins em 2026. MARA Holdings e Empery Digital fizeram vendas substanciais sem abandonar formalmente as estratégias. As razões citadas variam: pagamento de dívidas, necessidade de capital de giro, retorno aos acionistas e mudanças na estratégia de negócios.

Um relatório da DWF Ventures, divulgado na mesma data, contextualiza o cenário mais amplo: das 20 maiores empresas de reserva de ativos digitais por patrimônio sob gestão, apenas quatro negociam acima de um mNAV (múltiplo sobre o valor patrimonial líquido, na sigla em inglês) superior a 1, ou seja, com valor de mercado acima do valor dos criptoativos que possuem. Quando as ações são negociadas abaixo do NAV, emitir novas ações para comprar mais cripto dilui os acionistas existentes, destruindo a lógica central do modelo.

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O próximo termômetro do setor será o desempenho das poucas empresas que ainda mantêm o modelo ativo, em especial a Strategy de Michael Saylor, pioneira da estratégia desde 2020, cujo mNAV chegou ao pico no final de 2024 durante a alta do Bitcoin acima de 126.000 dólares, antes de o ativo passar por uma trajetória volátil que incluiu quedas abaixo de 60.000 dólares até se recuperar para a faixa de 86.000 dólares.

Análise de impacto para o Brasil: Diversas empresas brasileiras de capital aberto estudaram ou adotaram modelos similares de reserva em cripto nos últimos anos. O ciclo de saídas globais tende a aumentar a cautela de conselhos de administração locais e de investidores institucionais brasileiros diante de propostas semelhantes, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados no país.

Fontes: Cointelegraph.com News

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