SpaceX confirma fundição de lâminas de turbinas a gás em Bastrop (TX) para acelerar data centers de IA em até 18 meses, segundo Elon Musk.
- SpaceX constrói fundição em Bastrop, Texas, para produzir lâminas e palhetas de turbinas a gás usadas em data centers de IA
- Musk afirma que a iniciativa pode acelerar a entrada de turbinas em operação em até 18 meses
- Apenas 4 empresas no mundo dominam o processo de fundição dessas lâminas em escala industrial, e todas estão com capacidade esgotada
- Em Memphis, a NAACP acusa a SpaceXAI de operar turbinas sem licenças, com riscos de poluição para comunidades vizinhas
Elon Musk confirmou que a SpaceX está construindo uma fundição secreta em Bastrop, Texas, voltada para a produção das lâminas e palhetas internas de turbinas a gás. O objetivo declarado é quebrar um dos maiores gargalos da infraestrutura de inteligência artificial: a falta de energia elétrica para alimentar data centers.
A revelação veio após o veículo The Information publicar uma reportagem citando vagas de emprego que mencionavam explicitamente uma “fundição de lâminas e palhetas”, além de registros fundiários que mostram a SpaceX comprando cerca de 830 acres próximos à sua fábrica de Starlink na região, entre março e junho deste ano.
“A SpaceX e a Tesla estão cada uma construindo 100 GW por ano de capacidade solar o mais rápido possível, mas o gás natural ainda será necessário para complementar e impulsionar a energia solar por vários anos. O fator limitante para a produção de turbinas a gás é a fundição das lâminas e palhetas. Ao fazer a fundição internamente na SpaceX, podemos acelerar a entrada em operação de turbinas a gás em até 18 meses, o que é uma mudança profunda de patamar.”
Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla
O gargalo existe porque as lâminas na seção mais quente de uma turbina operam a temperaturas entre 1.650 e 1.980 graus Celsius, cerca de 440 graus acima do ponto de fusão da própria liga metálica de que são feitas. Cada lâmina precisa ser fundida como um único cristal ininterrupto, crescido lentamente dentro de um forno a vácuo. Apenas quatro empresas no mundo dominam o processo em escala industrial, e todas estão com capacidade esgotada.
Por que a energia virou o novo gargalo da IA
A demanda por energia em data centers não para de crescer. A Agência Internacional de Energia projeta que o consumo global de eletricidade em data centers vai praticamente dobrar até 2030. A fabricante de turbinas GE Vernova está com a capacidade de produção essencialmente vendida até o mesmo ano, em grande parte por causa da demanda de infraestrutura de IA.
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Diante disso, gigantes como Amazon, Google, Meta, OpenAI e Microsoft passaram a apostar em usinas a gás natural privadas, instaladas ao lado dos próprios data centers, em vez de depender da rede elétrica pública. Se a SpaceX conseguir dominar a fundição das lâminas, uma entidade controlada por Musk passará a deter uma capacidade de fabricação da qual todos os outros construtores de infraestrutura de IA atualmente dependem de um pequeno oligopólio.
Avanço com custo ambiental
A iniciativa, porém, traz uma contrapartida polêmica. Em Memphis, onde a SpaceXAI opera turbinas a gás para alimentar seus data centers Colossus desde 2024, a NAACP (principal organização de direitos civis dos Estados Unidos) acusou repetidamente a empresa de operar turbinas sem as licenças e os controles de poluição exigidos pela lei federal. Turbinas desse tipo emitem compostos formadores de smog e substâncias químicas perigosas, como o formaldeído, associados a asma, doenças respiratórias e certos tipos de câncer.
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Pesquisadores da Universidade de Memphis concluíram, em análise própria, que a poluição do ar ficou “ligeiramente pior” por causa do data center. O mesmo conflito se repete em outras regiões dos Estados Unidos onde turbinas a gás viraram a solução padrão para a falta de energia em data centers.
Análise: Para o Brasil, o debate reforça um alerta já presente no setor de tecnologia nacional. O país possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, o que pode se tornar um diferencial competitivo para atrair data centers que precisam equilibrar expansão rápida com metas ambientais. A disputa em torno da energia para IA tende a moldar decisões de localização de infraestrutura global nas próximas décadas.
O próximo passo concreto é verificar se a SpaceX consegue escalar a fundição de lâminas em cristal único para turbinas de grande porte, um desafio técnico reconhecidamente mais difícil do que o processo equivalente em motores de aviação. O sucesso ou fracasso dessa operação deve definir se Musk terá, de fato, controle sobre um elo crítico da cadeia de infraestrutura de IA global.
Fontes: AI News & Artificial Intelligence | TechCrunch



