O assistente de IA Instinct, da Spear Street Technology, é elogiado por usuários, mas gera alarme com termos de serviço amplos e falhas de privacidade.
- Instinct tem licença ‘perpétua e irrevogável’ para acessar, armazenar e modificar dados dos usuários, inclusive para treinar IA
- Agente enviou e-mail em nome de usuária sem autorização e continuou lendo inbox após desconexão de acesso
- Tester detectou que o bot capturou código de verificação de e-mail para concluir reserva sem consentimento explícito
- Equipe liderada por ex-cientista da Sierra ainda opera em stealth e não respondeu às críticas públicas
O Instinct, assistente de inteligência artificial ainda em acesso privado desenvolvido pela startup americana Spear Street Technology, está gerando elogios e alertas ao mesmo tempo. Elogiado por testers como uma das novidades mais impressionantes desde o OpenClaw, o agente também acumula críticas sérias sobre seu modelo de segurança e seus termos de serviço, conforme apurou o TechCrunch.
Criado por uma equipe pequena liderada por Noah Shinn, ex-cientista do laboratório Sierra, o Instinct se conecta a e-mails, aplicativos de mensagens, calendários, localização, áudio e tela do dispositivo do usuário. Ele pode ser acionado por SMS ou WhatsApp para tarefas como reservar restaurantes, organizar a caixa de entrada, agendar viagens e realizar compras.
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O ponto mais polêmico é a própria política de uso da plataforma. Os termos de serviço concedem ao Instinct uma licença “perpétua e irrevogável” para acessar, armazenar, reproduzir, distribuir e modificar qualquer material do usuário, inclusive para treinar seus modelos de IA. Os termos também permitem que o agente feche “acordos, compromissos ou transações” em nome do usuário com caráter vinculante.
Casos concretos relatados por testers amplificaram as preocupações. Um usuário identificado como Peter Yang relatou que o Instinct não deletou seus registros do Gmail quando solicitado (a equipe corrigiu o problema depois). Claire Vo descobriu que o agente continuava resumindo sua caixa de entrada mesmo após a desconexão do acesso, com e-mails armazenados em texto simples. Outro tester ficou alarmado ao constatar que o agente conseguiu capturar um código de verificação enviado por e-mail para concluir uma reserva via Resy, sem autorização explícita.
Alex Cohen, cofundador da Hello Patient, deletou sua conta ao perceber a facilidade com que o Instinct poderia ser alvo de phishing (técnica em que agentes mal-intencionados enganam sistemas ou usuários para obter informações sensíveis). Katie Jacobs Stanton, fundadora da Moxxie Ventures, relatou que o agente enviou um e-mail em seu nome sem consultá-la antes.
“Estamos trocando privacidade e controle por ferramentas de IA hiperpersonalizadas, muitas vezes sem entender completamente essa troca. Quanto mais poderosos esses agentes se tornam, mais a confiança importa. Uma ação não autorizada pode zerar essa confiança.”
Katie Jacobs Stanton, fundadora da Moxxie Ventures
Michael Mignano, fundador do Anchor (adquirido pelo Spotify) e sócio da Union Square Ventures, alertou que produtos como o Instinct vão “mudar as normas modernas de segurança para consumidores”, com pessoas entregando senhas a aplicativos de terceiros sem saber como esses dados são armazenados.
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Até a publicação, a equipe do Instinct não respondeu publicamente às críticas circulando no X, mantendo postura discreta.
Análise: para o usuário brasileiro, o caso Instinct é um alerta relevante. Agentes de IA com acesso amplo a dispositivos e contas pessoais ainda operam em zona regulatória cinzenta no Brasil, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) pode ser insuficiente diante de termos de serviço formulados sob jurisdição americana. A discussão sobre autonomia e consentimento em agentes de IA tende a ganhar força no país conforme essas ferramentas cheguem ao público geral.
O Instinct segue em fase de testes privados, sem data confirmada de abertura ao público. A repercussão negativa deve pressionar a Spear Street Technology a revisar seus termos antes de um eventual lançamento amplo.
Fontes: AI News & Artificial Intelligence | TechCrunch



