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Bitcoin Red Team: grupo de 20 voluntários contra ameaças de IA

Bitcoin Red Team: grupo de 20 voluntários contra ameaças de IA

O Bitcoin Red Team, grupo de 20 a 25 voluntários, usa IA para varrer o ecossistema Bitcoin em busca de falhas antes que atacantes as explorem.

Pontos principais

  • Grupo tem cerca de 20 a 25 voluntários e já gastou US$ 20 mil em varreduras de segurança
  • Protocolo Bitcoin é considerado seguro; o risco está em carteiras, apps e serviços ao redor
  • Modelos de IA chineses são usados com muito mais frequência que os americanos, cujas restrições bloqueiam pesquisas de cibersegurança
  • A chegada do modelo Kimi K3 foi apontada como gatilho de “caos” no campo da cibersegurança cripto

O avanço das ferramentas de inteligência artificial está colocando capacidades avançadas de ataque nas mãos de pessoas com pouco conhecimento em cibersegurança, e o ecossistema Bitcoin virou alvo prioritário. Para enfrentar essa ameaça, surgiu o Bitcoin Red Team, grupo formado por cerca de 20 a 25 voluntários que trabalha para identificar vulnerabilidades em carteiras, aplicações e serviços construídos sobre o Bitcoin antes que atacantes o façam.

O grupo, cujo membro pseudônimo Calle é também desenvolvedor do protocolo de código aberto Cashu, relatou ao Decrypt que a iniciativa nasceu como resposta de emergência após o hack da carteira Coldcard e a chegada de modelos de IA mais poderosos, em especial o Kimi K3, de origem chinesa.

“Neste ponto, é uma questão de tempo. A razão pela qual o Bitcoin Red Team existe agora é porque precisamos sair na frente dos atacantes o mais rápido possível.”

Calle, membro do Bitcoin Red Team e desenvolvedor do protocolo Cashu

Entre os participantes estão os desenvolvedores Bitcoin Ben Carmen, Daniela Brozzoni e James O’Beirne, além de Bruno Garcia, membro do conselho do Vinteum Bitcoin R&D Center. O CEO da firma de seguros para Bitcoin AnchorWatch, Rob Hamilton, também teve papel central no início do esforço coletivo.

O protocolo Bitcoin está seguro, mas os apps ao redor não

Calle foi enfático ao diferenciar o protocolo Bitcoin em si, que considera seguro, do ecossistema de software que o cerca. Carteiras, exchanges e aplicações são o ponto fraco, pois são o que a maioria dos usuários realmente utiliza no dia a dia.

“Embora o Bitcoin em si seja seguro, o software que usamos para transacionar com Bitcoin pode não ser, e é com esse software que a maioria das pessoas interage de qualquer forma.”

Calle, membro do Bitcoin Red Team

O grupo já varreu praticamente todo o ecossistema significativo de código aberto do Bitcoin por iniciativa própria, sem esperar solicitações. Segundo Calle, quando um projeto pede uma análise, a equipe provavelmente já fez a varredura. Os achados são compartilhados diretamente com os desenvolvedores afetados.

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Modelos chineses de IA dominam o trabalho de segurança

Um dado revelador da operação é o uso predominante de modelos de IA chineses em vez de americanos. Calle explicou que os modelos dos EUA possuem restrições (guardrails) que frequentemente bloqueiam pesquisas legítimas de cibersegurança, incluindo até a ajuda para corrigir vulnerabilidades já identificadas.

“Não é nem comparável”, disse Calle sobre a diferença de utilidade entre os dois grupos de modelos para esse tipo de trabalho. Ele reconhece que os modelos americanos de ponta ainda são possivelmente mais capazes de forma geral, mas as limitações impostas reduzem sua aplicabilidade prática em contextos de segurança ofensiva e defensiva.

O time também já gastou cerca de 20 mil dólares em serviços desde sua formação, valor que, segundo Hamilton, está coberto por financiamento já assegurado.

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Análise de impacto para o Brasil: O Brasil figura entre os países com maior base de usuários de Bitcoin na América Latina. Carteiras e aplicações locais baseadas no ecossistema Bitcoin, como implementações de Lightning Network e protocolos de privacidade, estão dentro do escopo que o Bitcoin Red Team já analisa. Brasileiros que usam software de código aberto ligado ao Bitcoin podem ser beneficiados diretamente pelas divulgações responsáveis do grupo.

O próximo passo declarado do Bitcoin Red Team é manter o ritmo de varreduras proativas e expandir a colaboração com projetos que ainda não foram contactados, enquanto a corrida entre defensores e atacantes armados com IA segue sem prazo de fim definido.

Fontes: Decrypt

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