Block pediu ao OCC licença para o Builders Bank & Trust, banco de custódia de Bitcoin sem depósitos nem empréstimos, após movimentar US$ 10,7 bi em 2025.
- Block protocolou pedido ao OCC em 4 de setembro para criar o Builders Bank & Trust, banco nacional de custódia.
- O banco seria não depositário e não segurado, focado em custódia de Bitcoin, execução de ordens e liquidação de stablecoins.
- Em 2025, a Block movimentou cerca de US$ 10,7 bilhões em volume de Bitcoin e tinha 2 milhões de usuários mensais no Cash App.
- OCC já aprovou condicionalmente charters para Circle, Ripple, BitGo, Fidelity Digital Assets, Paxos, Crypto.com e Coinbase, entre outros.
A Block, empresa de pagamentos fundada por Jack Dorsey e responsável pelo Square e pelo Cash App, pediu ao Escritório do Controlador da Moeda (OCC) dos Estados Unidos uma licença de banco nacional de custódia, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira. A instituição projetada se chamaria Builders Bank & Trust.
O banco seria não segurado e não depositário, ou seja, não captaria depósitos e não concederia empréstimos. Suas atividades se limitariam à custódia de Bitcoin e outros ativos digitais, execução de ordens de compra e venda de clientes em base de principal sem risco, e liquidação de stablecoins (moedas digitais atreladas a ativos estáveis, como o dólar).
A Block opera serviços de ativos digitais há cerca de oito anos, apoiada em mais de 50 licenças estaduais de transmissão de dinheiro e moeda virtual. Em 2025, a empresa movimentou aproximadamente 10,7 bilhões de dólares em volume de transações com Bitcoin e atendia cerca de dois milhões de usuários mensais de criptomoedas pelo Cash App até o segundo trimestre deste ano. No pedido ao OCC, a Block argumenta que uma licença federal permitiria apoiar essas atividades por meio de um marco nacional uniforme à medida que o negócio cresce.
Banco sem agências, sede no Dakota do Sul
O Builders Bank teria sede em Sioux Falls, no Dakota do Sul, sem agências físicas. Os cinco diretores propostos residem em outros estados, e a Block solicitou ao OCC a dispensa da regra que exige que ao menos um deles more a menos de 100 milhas (aproximadamente 161 km) da sede.
Lee Woolley, responsável pela estratégia de ativos digitais da Block e ex-executivo do Northern Trust e do BNY Mellon, seria o presidente do conselho e o principal executivo da instituição. Jack Dorsey não figura entre os organizadores, diretores ou executivos seniores; seu nome aparece no documento apenas como cofundador da Block.
“Uma licença federal nos permitiria apoiar essas atividades por meio de um marco nacional uniforme à medida que o negócio escala.”
Block, em pedido protocolado ao OCC
O plano de negócios e os valores de capital foram entregues como anexos confidenciais. O banco só poderá abrir suas portas se o OCC aprovar o pedido.
Contexto regulatório e concorrência
O OCC aprovou condicionalmente cinco licenças de custódia cripto em dezembro passado, para Circle, Ripple, BitGo, Fidelity Digital Assets e Paxos. Em fevereiro, mais três foram concedidas, incluindo Crypto.com e a subsidiária Bridge, do Stripe. A Coinbase recebeu aprovação preliminar em abril, e pedidos de Morgan Stanley, Payoneer, Zerohash, Payward (braço da Kraken) e a World Liberty Financial, ligada ao ex-presidente Donald Trump, ainda aguardam análise.
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A aprovação não é automática. Em julho, o OCC negou a licença ao Wise National Trust. A senadora Elizabeth Warren (Democratas, Massachusetts) sustenta que o OCC não tem autoridade para conceder licenças de custódia a empresas que não exercem atividades fiduciárias tradicionais, posição que o setor contesta.
Vale notar que o elemento de stablecoins no pedido contrasta com declarações anteriores do próprio Dorsey, que já afirmou não gostar muito de stablecoins e preferir construir sobre o Bitcoin.
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Análise para o leitor brasileiro: A eventual aprovação do Builders Bank & Trust consolidaria um modelo regulatório federal para custódia de cripto nos EUA que pode servir de referência para outros países, incluindo o Brasil, onde o Banco Central avança na regulamentação de prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs). Empresas brasileiras com operações globais acompanham de perto esse processo, pois ele tende a moldar padrões internacionais de conformidade e custódia.
O próximo passo decisivo é a análise formal do OCC, sem prazo público definido. O banco não pode iniciar operações antes da aprovação regulatória, e o histórico recente da agência mostra que rejeições também ocorrem, como no caso do Wise National Trust em julho.
Fontes: Decrypt
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