Golfinhos, elefantes e papagaios usam vocalizações individualizadas como nomes. Pesquisadores propuseram em julho de 2026 critérios para classificar o comportamento.
- Golfinhos desenvolvem ‘assobios de assinatura’ desde filhotes e os imitam para chamar parceiros específicos
- Elefantes africanos emitem ruídos graves exclusivos por indivíduo; animais respondiam mais rápido ao ouvir o próprio ‘nome’
- Cerca de metade dos 800 papagaios avaliados usava sons distintos para se referir a humanos e pets da casa
- Em julho de 2026, pesquisadores propuseram três critérios formais para definir ‘nome’ no reino animal: referência individual, representação simbólica e significado compartilhado
Pesquisas científicas recentes indicam que golfinhos, elefantes africanos e papagaios utilizam vocalizações individualizadas para identificar e chamar membros específicos de seu grupo, de forma análoga ao uso humano de nomes. O tema, ainda debatido na comunidade científica, ganhou novo impulso em julho de 2026, quando pesquisadores propuseram um critério formal para classificar esse comportamento no reino animal.
O caso mais bem documentado é o dos golfinhos-nariz-de-garrafa. Desde a década de 1960, cientistas observaram que filhotes desenvolvem assobios únicos, chamados de “assobios de assinatura”, e os imitam ao querer interagir com outros indivíduos. O reconhecimento ocorre pela frequência e pelo padrão sonoro do assobio, independentemente de quem o emite.
“Os golfinhos parecem atribuir esses assobios a outros indivíduos e combiná-los com outros de uma forma mais simbólica.”
Kelly Jaakkola, psicóloga cognitiva do Dolphin Research Center (Flórida)
Com os elefantes africanos, experimentos mostraram que os animais andavam mais rápido em direção aos alto-falantes e emitiam mais sons ao ouvir o ruído grave associado ao seu próprio “nome”. Os chamados são de baixa intensidade e exclusivos para cada membro da manada.
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“Eles soam um pouco como um gato gigante ronronando.”
Michael Pardo, ecologista comportamental da Universidade Estadual do Colorado e principal autor do estudo sobre elefantes
Já entre papagaios em cativeiro, um levantamento com tutores avaliou 800 aves e constatou que aproximadamente metade usava sons distintos para se referir a humanos e outros pets da casa, habilidade adquirida pela convivência. Houve relatos de aves que corrigiam os tutores ao serem chamadas pelo apelido errado.
O que define um “nome” animal
Em julho de 2026, Jaakkola e sua equipe propuseram três requisitos para que uma vocalização animal seja classificada como nome: referência individual (o chamado aponta para um alvo específico), representação simbólica (o som simboliza aquele indivíduo para quem o emite) e significado compartilhado (dois ou mais animais associam o som à mesma entidade).
Pelos três critérios, os golfinhos têm o caso mais sólido. Elefantes, papagaios e saguis ainda precisam de investigações adicionais para comprovar o aspecto simbólico. Pardo acredita que o comportamento pode ser mais difundido do que se imagina, citando corvos, babuínos e girafas como candidatos a investigação futura, por viverem em dinâmicas sociais semelhantes.
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Os próximos passos da área envolvem aplicar o novo critério proposto em julho de 2026 a outras espécies, ampliando o mapeamento de quais animais de fato operam com referência simbólica vocal, o que poderia redefinir o entendimento científico sobre cognição e linguagem animal.
Fontes: Olhar Digital



