Apple desenvolveu modelo de IA para a China com apoio da Alibaba e obteve aprovação regulatória inédita da CAC, abrindo caminho ao Apple Intelligence no país.
- Apple tornou-se possivelmente 1ª empresa estrangeira aprovada pela CAC para operar IA proprietária na China.
- Modelo chinês combina tecnologia própria da Apple com Qwen (Alibaba) e recursos do Baidu; lançamento via iOS em breve.
- Apple pagou US$ 250 milhões em maio para encerrar ações sobre recursos de IA não entregues no lançamento do iPhone.
A Apple desenvolveu um modelo de inteligência artificial generativa voltado ao mercado chinês com suporte da Alibaba, segundo reportagem da Reuters. O projeto desbloqueou uma aprovação regulatória inédita: a Administração do Ciberespaço da China (CAC, na sigla em inglês) registrou o serviço de IA generativa da empresa no mês passado, tornando a Apple possivelmente a primeira companhia estrangeira autorizada a operar seu próprio modelo proprietário de IA no país.
O avanço regulatório é significativo porque serviços como o ChatGPT, da OpenAI, e o Claude, da Anthropic, seguem bloqueados na China justamente por não obterem esse tipo de aprovação. A Apple, ao contrário, escolheu adaptar sua solução ao ambiente local, o que abriu as portas do regulador.
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De acordo com a reportagem do Decrypt, o plano da empresa é combinar seu modelo próprio com a tecnologia Qwen, da Alibaba, e recursos do Baidu. Ainda não está claro qual papel cada sistema desempenhará na experiência final do usuário. A expectativa é que o Apple Intelligence, a iniciativa de IA da marca, chegue aos iPhones chineses por meio de uma atualização do iOS nos próximos meses.
\”Eles conversaram com várias empresas na China. No fim, escolheram fazer negócio com a gente.\”
Tsai confirmou o acordo entre as duas empresas em fevereiro de 2025, quando as negociações se tornaram públicas pela primeira vez.
O movimento na China ocorre após um período turbulento para a estratégia de IA da Apple. Em janeiro, a companhia anunciou que seus modelos de base de nova geração passariam a usar o Gemini, do Google, abandonando um design proprietário após atrasos e recepção fraca do Apple Intelligence.
Em maio, a Apple fechou um acordo de 250 milhões de dólares para encerrar ações judiciais que acusavam a empresa de enganar compradores de iPhone sobre recursos de IA que não estavam disponíveis no lançamento. O episódio reforçou a pressão sobre a companhia para entregar funcionalidades concretas.
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No mercado chinês, a situação é ainda mais delicada. Rivais locais como a Huawei já comercializam aparelhos com IA integrada, o que deixou a Apple em desvantagem competitiva justamente no segundo maior mercado de smartphones do mundo.
Em junho, a Apple apresentou o Siri reformulado, capaz de manter conversas, analisar imagens e usar contexto pessoal do usuário. O assistente deve entrar em fase beta ainda este ano, mas permanecerá indisponível na China até que as exigências regulatórias sejam plenamente atendidas.
Análise: Para o Brasil, o caso Apple-Alibaba ilustra como grandes mercados emergentes passam a exigir modelos de IA adaptados localmente, uma tendência que pode influenciar futuras discussões regulatórias no país sobre serviços de IA estrangeiros.
O próximo passo concreto é a atualização de iOS prevista para os próximos meses, que definirá se a Apple consegue recuperar terreno frente às concorrentes chinesas antes do ciclo de lançamento do iPhone de 2026.
Fontes: Decrypt
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