AO VIVO

Empresa abandona Bitcoin após prejuízo de US$ 22 mi

Empresa abandona Bitcoin após prejuízo de US$ 22 mi

KULR Technology vendeu 333 BTC, encerrou mineração e quitou dívida na Coinbase após prejuízo de US$ 22 mi com a volatilidade do Bitcoin em 2026.

Pontos principais

  • KULR registrou prejuízo líquido de US$ 21,97 mi no 2T26, incluindo perda não caixa de US$ 10,59 mi com Bitcoin
  • Empresa vendeu cerca de 333 BTC por US$ 21,5 mi após junho e usou US$ 20 mi para quitar crédito na Coinbase
  • Dois contratos de mineração encerrados; produção caiu de 11,25 BTC para 8,44 BTC no trimestre
  • KULR ainda detém aproximadamente 760 BTC, mas gestão pode vender mais conforme necessidades corporativas

A KULR Technology Group, fabricante americana de tecnologia de baterias, encerrou sua operação de mineração de Bitcoin, vendeu parte de seu estoque em criptomoeda e redirecionou o capital para o negócio principal após registrar um prejuízo líquido de US$ 21,97 milhões no segundo trimestre de 2026.

A reversão é drástica. Em 2024, a companhia havia adotado uma estratégia agressiva de acumulação de Bitcoin, autorizando o uso de até 90% do caixa excedente na criptomoeda. No primeiro semestre de 2025, chegou a gastar US$ 69,9 milhões para comprar 693,81 BTC. No mesmo período de 2026, não adquiriu nenhum Bitcoin.

O estopim para a mudança foi a volatilidade. A KULR registrou uma perda não caixa de US$ 10,59 milhões referente à variação do valor justo do Bitcoin no segundo trimestre, enquanto a receita caiu 43%, para US$ 2,08 milhões, e o prejuízo operacional cresceu 19%, chegando a US$ 11,2 milhões.

Mineradores de Bitcoin têm menor receita por taxas em 10 anos

“A estratégia havia proporcionado flexibilidade financeira, mas a volatilidade do Bitcoin estava tornando o negócio central de baterias mais difícil de ser avaliado pelos acionistas.”

Mike Kimel, diretor financeiro da KULR Technology Group

Após 30 de junho, a empresa vendeu aproximadamente 333 BTC por US$ 21,5 milhões e usou cerca de US$ 20 milhões do valor arrecadado para quitar uma linha de crédito de US$ 20 milhões com a Coinbase. O pagamento liberou 565 BTC que estavam dados como garantia (colateral) do empréstimo, eliminando o risco de liquidação forçada dessas posições.

Kimel afirmou que a companhia vem reduzindo sua posição em Bitcoin de forma “deliberada e disciplinada” para diminuir a volatilidade do balanço patrimonial e concentrar capital na plataforma de energia. A KULR ainda detém cerca de 760 BTC, mas a diretoria agora tem autoridade para vender mais unidades conforme as necessidades operacionais exigirem.

Mineração encerrada e tendência mais ampla

Além das vendas, a KULR desmontou completamente sua operação de mineração. Um contrato de mineração não foi renovado ao vencer em 30 de julho. Um segundo contrato, originalmente com vigência até outubro de 2027, foi encerrado antecipadamente em julho, mediante pagamento de US$ 150 mil para rescisão, eliminando cerca de US$ 2,1 milhões em compromissos futuros.

O desempenho da mineração já vinha enfraquecendo: no segundo trimestre, a empresa produziu 8,44 BTC, ante 11,25 BTC no mesmo período do ano anterior. A receita de mineração recuou para cerca de US$ 606 mil, contra US$ 1,12 milhão um ano antes.

O movimento da KULR faz parte de uma reavaliação mais ampla entre companhias que adotaram estratégias de reserva em Bitcoin durante o ciclo de alta anterior. Analistas de mercado apontam que o modelo de tesouraria em cripto muda de lógica quando o Bitcoin deixa de funcionar principalmente como ativo de valorização e passa a competir com a redução de dívidas, o caixa operacional e o investimento no negócio principal.

Goldman Sachs compra NEOS por até US$ 2,25 bi e entra nos ETFs de Bitcoin

Análise: Para investidores brasileiros que acompanham empresas listadas com exposição a Bitcoin, o caso KULR reforça o debate sobre os riscos contábeis de reservas em criptomoedas em balanços corporativos, especialmente em períodos de menor apetite por risco no mercado global.

A KULR encerra o período com uma base de custo de US$ 109,8 milhões para uma posição hoje avaliada em US$ 63,92 milhões, segundo o próprio arquivo submetido à SEC (comissão de valores mobiliários americana). A próxima referência pública sobre o tamanho da posição restante deve vir com o balanço do terceiro trimestre.

Fontes: CryptoSlate

Leia também

Aviso Legal: Este conteúdo é apenas informativo e educacional. O IAZona não é uma consultoria financeira e não realiza recomendações de compra ou venda de ativos. As informações apresentadas não constituem aconselhamento de investimento. Consulte um profissional certificado antes de tomar qualquer decisão financeira.
Rolar para cima