Taxas de transação somam apenas 0,69% da receita dos mineradores de Bitcoin, mínimo em 10 anos, enquanto hash rate cai 33% e setor migra para IA.
- Taxas de transação representam apenas 0,69% da receita dos mineradores, mínimo desde 2016
- Hash rate da rede Bitcoin caiu 33% desde o pico de outubro de 2025, passando de 1,3 ZH/s para 861 EH/s
- Custo médio de produção de 1 BTC está em US$ 78.254, cerca de 23% acima do preço de mercado atual
- Mineradoras migram para IA e HPC: CleanSpark reorientou operações e Keel Infrastructure fechou todas as unidades nos EUA após queda de 50% na receita
As taxas de transação correspondem a apenas 0,69% da receita dos mineradores de Bitcoin, o nível mais baixo em uma década, enquanto o setor enfrenta uma combinação de preços em queda, custos crescentes e migração massiva para a computação de inteligência artificial.
Dados da plataforma de análise onchain Glassnode mostram que a fatia de receita proveniente de taxas ficou tão baixa quanto 0,52% em abril e permanece próxima a esse mínimo histórico. O co-fundador da Glassnode, Rafael Schultze-Kraft, destacou a gravidade do momento em publicação no X.
“O Bitcoin estava abaixo de 400 dólares da última vez que a participação das taxas era tão baixa.”
Rafael Schultze-Kraft, co-fundador da Glassnode
Quando a receita com taxas cai, os mineradores passam a depender cada vez mais do subsídio por bloco (a recompensa em BTC novo paga a cada bloco minerado, atualmente de 3,125 BTC). O problema é que o valor do Bitcoin recuou quase 50% desde a máxima histórica de outubro de 2025, corroendo também o valor em dólar dessa recompensa fixa.
O custo médio estimado para produzir um Bitcoin está em US$ 78.254, segundo dados do Checkonchain, valor cerca de 23% acima do preço spot atual. Isso significa que parte relevante do setor opera no prejuízo.
Hash rate em queda e a corrida para a IA
O estresse financeiro se reflete no hash rate (medida estimada do poder computacional que protege a rede Bitcoin): o indicador caiu de 1,3 zettahashes por segundo (ZH/s) em outubro de 2025 para 861 exahashes por segundo (EH/s), uma retração de 33%.
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Analistas apontam a migração de mineradores para centros de dados de IA e computação de alto desempenho (HPC, na sigla em inglês) como fator central nessa dinâmica. Empresas como a CleanSpark reorientaram operações para o setor de IA após não baterem metas de lucro. Já a Keel Infrastructure encerrou todas as suas operações de mineração nos Estados Unidos depois que a receita caiu 50% no segundo trimestre.
O analista independente William Clemente reconhece que a mudança tem lógica de negócios, mas adverte sobre as consequências.
“Essa dinâmica se reforçou à medida que o Bitcoin teve desempenho inferior ao de ativos ligados à IA e ao ritmo de crescimento da demanda por computação.”
William Clemente, analista independente
Charles Edwards, fundador do fundo Capriole Investments, foi mais enfático, chamando o declínio do hash rate de “o desenvolvimento mais preocupante e menos debatido do Bitcoin em 2026”, e destacando que a tendência se acelerou desde abril.
IA encontra uma falha crítica por hora em projetos Bitcoin
Para o leitor brasileiro, o cenário é relevante: mineradoras nacionais e investidores expostos ao setor enfrentam o mesmo aperto de margem global. A perspectiva de curto prazo depende de uma recuperação do preço do BTC ou de nova valorização das taxas de transação, nenhuma das quais está garantida no horizonte imediato.
Fontes: Cointelegraph.com News
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