Google retirou ferramenta de IA do Google Earth um dia após o lançamento, após alertas sobre criação fácil de imagens de satélite falsas e desinformação.
O Google removeu um recurso de geração de imagens por inteligência artificial do Google Earth apenas um dia depois de tê-lo lançado, após críticas de jornalistas e pesquisadores que alertaram para o risco de proliferação de imagens de satélite falsas e convincentes.
A ferramenta foi disponibilizada em 30 de julho na versão web do Google Earth. Ela permitia que usuários apontassem qualquer localização no mapa, clicassem em “criar imagem” e gerassem uma cena a partir de um texto usando o modelo Nano Banana. Em 31 de julho, o recurso já havia sido retirado.
Em comunicado publicado no X, o Google reconheceu que “as pessoas confiam de forma singular no Google Earth para uma visão confiável do mundo” e que, embora profissionais de geoespacial tenham encontrado aplicações úteis, outros estavam compartilhando imagens geradas que pareciam violar suas políticas.
“As pessoas confiam de forma singular no Google Earth para uma visão confiável do mundo.”
A preocupação central foi a facilidade com que a ferramenta fabricava eventos que nunca aconteceram. O veículo especializado 404 Media demonstrou que era possível gerar a imagem de uma cratera de explosão em Los Angeles e adicionar manifestantes em frente ao campus do próprio Google em Mountain View. A NPR gerou imagens da Ilha Kharg, no Irã, em chamas e do Capitólio dos Estados Unidos inundado, cenas que seriam grandes notícias caso fossem reais.
O pesquisador de fontes abertas (OSINT) Henk van Ess relatou à NPR ter testado prompts sobre refugiados na fronteira mexicana e uma usina nuclear no Irã sem que nenhum fosse recusado pelo sistema.
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Imagens de satélite historicamente funcionam como âncora para verificar notícias de última hora e atrocidades justamente por serem difíceis de falsificar. O pesquisador do Bellingcat Jake Godin alertou que a geração com um clique simplificaria a criação de falsificações e aceleraria sua disseminação, acrescentando que a desinformação supera qualquer correção e que governos poderiam passar a descartar imagens autênticas como fabricadas.
O Google havia tentado minimizar as preocupações inicialmente, argumentando que todas as imagens geradas carregam a marca d’água SynthID, tecnologia que sinaliza conteúdo como gerado por IA em ferramentas como o Gemini, e que o sistema bloqueia criações sobre temas prejudiciais. Críticos consideraram a medida insuficiente, argumentando que poucas pessoas verificam a autenticidade de imagens antes de compartilhá-las.
“A desinformação supera qualquer correção.”
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O Google afirmou que só irá restaurar o recurso de geração de imagens no Google Earth após implementar proteções mais robustas, mas não forneceu qualquer prazo para isso.
Análise, Impacto no Brasil: Para usuários e pesquisadores brasileiros que utilizam imagens de satélite para monitorar desmatamento, queimadas e desastres ambientais na Amazônia e no Cerrado, o episódio evidencia um risco concreto: a facilidade de criar imagens falsas de locais sensíveis pode comprometer a credibilidade de documentações legítimas usadas em disputas ambientais e jurídicas.
Fontes: Decrypt
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