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Falhas e fracassos no cripto: o duro 22/07/2026 do setor

Falhas e fracassos no cripto: o duro 22/07/2026 do setor

O mercado de criptomoedas registrou, nesta semana, uma sequência de eventos que expõem as vulnerabilidades estruturais de projetos que apostaram alto no ecossistema digital. De tesourarias corporativas em Bitcoin a carteiras descentralizadas na blockchain Cardano, a combinação de queda de preços, falhas técnicas e decisões estratégicas mal-sucedidas produziu perdas significativas para investidores e usuários ao redor do mundo.

Acionistas da Satsuma votam pela liquidação de US$ 43,5 milhões em Bitcoin após perdas de 99%

O cenário mais emblemático vem do Reino Unido, onde a Satsuma Technology, empresa listada na Bolsa de Valores de Londres (London Stock Exchange), teve mais de 90% dos votos dos acionistas favoráveis à liquidação total de suas reservas em Bitcoin e ao encerramento das operações. A votação, que contrariou quatro dos seis membros do conselho de administração, determina a venda de 668 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 43,5 milhões.

A Satsuma nasceu como TAO Alpha, uma pequena empresa de inteligência artificial, antes de se reposicionar e contratar Mark Moss, comentarista americano de Bitcoin com mais de 700 mil inscritos no YouTube, como Estrategista-Chefe de Bitcoin em agosto de 2025. No mesmo mês, a companhia captou £163,6 milhões (cerca de US$ 218 milhões) por meio de notas conversíveis, instrumentos de dívida que permitem ao credor resgatar o valor em dinheiro ou convertê-lo em ações da empresa, liderados pela ParaFi Capital, com participação da Pantera Capital, Digital Currency Group e Kraken.

O modelo seguia a lógica das chamadas DATs (Digital Asset Treasuries, ou Tesourarias de Ativos Digitais): empresas que mantêm criptomoedas como reserva estratégica corporativa. A estratégia pareceu promissora quando o Bitcoin atingiu sua máxima histórica de US$ 126.000 em outubro de 2025. No entanto, uma queda prolongada nos meses seguintes inaugurou o que o mercado passou a chamar de “inverno cripto”, arrastando as ações da Satsuma junto.

Em dezembro de 2025, a empresa já vendia ativos para se manter solvente: 579 BTC foram alienados por £40 milhões para honrar compromissos com detentores de notas conversíveis. O CFO deixou a empresa em fevereiro de 2026 e o CEO saiu em março. Em abril, as ações acumulavam perda superior a 99% em relação ao pico de junho de 2025. O processo de encerramento, conduzido via mecanismo jurídico britânico conhecido como “B Share Scheme”, deve devolver entre £26,8 milhões e £30 milhões aos acionistas, após custos estimados de £2,7 milhões em honorários legais, rescisões e taxas de cancelamento de listagem. Somando a venda de dezembro, o capital total recuperado deve ficar entre £66 milhões e £70 milhões, contra os £163,6 milhões originalmente captados.

Ataque cibernético drena 16 milhões de ADA da plataforma SecondFi e suspende recuperação de usuários

Enquanto a Satsuma enfrenta um encerramento planejado, a SecondFi, plataforma de carteira digital baseada na blockchain Cardano, anuncia seu fechamento em circunstâncias ainda mais agudas: um ataque cibernético explorou uma falha criptográfica no software da carteira e resultou no furto de cerca de 16,1 milhões de ADA (a criptomoeda nativa do Cardano), equivalentes a aproximadamente US$ 2,6 milhões. O incidente afetou 374 carteiras de usuários.

Uma investigação independente conduzida pela empresa de inteligência blockchain Groom Lake apontou para a participação de um agente externo sofisticado e identificou indicadores potencialmente ligados ao Lazarus Group, organização associada à Coreia do Norte, embora nenhuma atribuição formal tenha sido confirmada. A SecondFi afirmou que está desenvolvendo uma ferramenta de recuperação baseada em provas de conhecimento zero, tecnologia criptográfica que permite verificar informações sem revelar os dados subjacentes, para auxiliar os usuários afetados a recuperar ativos com o mínimo de exposição de informações pessoais.

O cronograma, no entanto, frustra parte dos usuários. Em 27 de junho, a empresa havia prometido iniciar o processo de recuperação em cerca de duas semanas. Quase um mês depois, a ferramenta ainda está em desenvolvimento e a previsão foi postergada para agosto. A SecondFi não anunciou um plano de reembolso direto nem indicou se compensará os usuários com recursos próprios. Audiências no Alto Tribunal britânico para aprovar a devolução de capital da Satsuma estão previstas para agosto e setembro de 2026, com o cancelamento da listagem esperado para meados de setembro.

Os dois casos ilustram riscos distintos, mas complementares, do ecossistema cripto em 2026: de um lado, a fragilidade de modelos corporativos que dependem da valorização contínua de ativos voláteis; de outro, as vulnerabilidades técnicas que ainda permeiam plataformas de finanças descentralizadas. À medida que o setor amadurece, a pressão por maior rigor técnico, governança transparente e mecanismos robustos de proteção ao usuário tende a se intensificar.

Fontes: Decrypt

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