Um grupo multipartidário de parlamentares do Reino Unido lançou formalmente, nesta segunda-feira (21/07/2026), uma investigação sobre as práticas de bancos britânicos que bloqueiam contas e pagamentos de empresas do setor de criptomoedas. A iniciativa busca apurar se essas restrições constituem uma barreira sistêmica ao desenvolvimento da indústria no país.
O problema não é novo. Nos últimos anos, diversas empresas de ativos digitais com sede no Reino Unido relataram dificuldades persistentes para manter relacionamento bancário estável. Exchanges, custodiantes e fintechs de cripto descrevem um padrão recorrente: contas encerradas sem justificativa clara, transferências recusadas e processos de abertura de conta extremamente restritivos. O fenômeno, conhecido informalmente como “debanking”, ganhou atenção pública em 2023 e nunca foi resolvido de forma estrutural pelas autoridades regulatórias britânicas.
Os impactos práticos sobre o ecossistema são consideráveis. Sem acesso a serviços bancários básicos, empresas de cripto enfrentam dificuldades para pagar fornecedores, receber investimentos, processar conversões entre moeda fiduciária e ativos digitais e manter operações cotidianas. O risco mais imediato é a migração dessas empresas para jurisdições com ambiente regulatório mais receptivo, como os Emirados Árabes Unidos, Suíça ou Singapura, esvaziando um hub tecnológico que o próprio governo britânico tem tentado construir desde 2022.
A investigação parlamentar deverá convocar representantes de grandes bancos para prestar esclarecimentos, além de ouvir empresas do setor e especialistas em regulação financeira. O grupo multipartidário pretende avaliar se os bloqueios decorrem de exigências legais de compliance ou de decisões discricionárias das próprias instituições financeiras — uma distinção crucial para qualquer eventual medida corretiva. O governo do Reino Unido, que aprovou legislação voltada ao reconhecimento de ativos criptográficos em 2023, pode ser pressionado a criar mecanismos de acesso bancário mínimo garantido para empresas regulamentadas do setor.
O desfecho desta investigação terá repercussões que vão além das fronteiras britânicas. O Reino Unido é frequentemente tomado como referência regulatória por outros países, e a forma como o Parlamento endereçar a tensão entre os requisitos de combate à lavagem de dinheiro dos bancos e as necessidades operacionais legítimas das empresas de cripto pode influenciar debates semelhantes na União Europeia e em outras economias avançadas. Para o setor, a expectativa é de que a investigação produza recomendações concretas — e não apenas relatórios — capazes de mudar o comportamento das instituições financeiras de forma efetiva.
Fontes: Decrypt
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