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Tokenização explode para US$ 6,6 bi e redefine o DeFi em 29/07/2026

Tokenização explode para US$ 6,6 bi e redefine o DeFi em 29/07/2026

O mercado de ativos tradicionais tokenizados, representações digitais em blockchain de ações, commodities e metais preciosos, cresceu quase cinco vezes em 18 meses, atingindo US$ 6,6 bilhões em capitalização de mercado em junho de 2026, ante US$ 1,4 bilhão em janeiro de 2025. Os dados são de um estudo publicado nesta quarta-feira pela CoinGecko, que analisou a atividade nas exchanges Binance, OKX, Bybit, Bitget, Gate e MEXC. O levantamento evidencia como a fronteira entre as finanças descentralizadas (DeFi) e o sistema financeiro tradicional, o chamado TradFi, está se dissolvendo em ritmo acelerado.

O movimento não é casual. Segundo a CoinGecko, a pressão competitiva vinda tanto de exchanges descentralizadas, que vêm corroendo fatias de mercado, quanto de corretoras tradicionais que ampliam suas ofertas em ativos digitais, está empurrando as plataformas centralizadas a diversificar seus portfólios para além das criptomoedas. A Robinhood é citada no relatório como exemplo de corretora que expandiu significativamente suas operações em ativos digitais, ilustrando o avanço dessa convergência.

Futuros perpétuos dominam e ações de semicondutores puxam o crescimento

O crescimento inicial do segmento foi impulsionado principalmente por metais preciosos tokenizados, mas o centro de gravidade se deslocou. Em meados de 2026, os futuros perpétuos de ações norte-americanas, contratos derivativos sem data de vencimento que permitem exposição alavancada, já superavam os metais em volume de negociação e em interesse aberto. O relatório aponta o interesse de investidores em ações do setor de semicondutores e em IPOs aguardados como principais catalisadores dessa virada.

Os derivativos dominam o segmento porque traders preferem produtos alavancados e porque as exchanges conseguem listar contratos perpétuos sem precisar emitir ou custodiar os ativos tokenizados subjacentes, explica a CoinGecko. Os mercados à vista, por sua vez, permanecem comparativamente pequenos dentro desse universo, o que indica que a demanda atual é predominantemente especulativa e não de posse direta dos ativos.

A dinâmica reforça um padrão já observado no DeFi mais amplo: a infraestrutura blockchain sendo usada primariamente como camada de liquidez e negociação, antes de servir como mecanismo de propriedade real de ativos do mundo físico.

Projeções trilionárias e a corrida institucional pela tokenização

O interesse institucional confere escala ao fenômeno. Um relatório do Standard Chartered divulgado em junho projetou que a tokenização de ativos do mundo real (RWA, na sigla em inglês) pode expandir o DeFi para um mercado de US$ 2,7 trilhões até 2030. Analistas da Bernstein foram ainda mais otimistas, estimando que o mercado de tokenização como um todo pode alcançar US$ 4 trilhões até o fim da década, à medida que instituições financeiras adotam cada vez mais ativos baseados em blockchain.

Casos concretos reforçam a tendência. A BitGo e o OTC Markets Group firmaram parceria para ampliar o acesso a títulos tokenizados para mais de 150 corretoras. Já a Tradable fechou acordo com a rede Stellar para trazer até US$ 1 bilhão em ativos de crédito privado para o ambiente onchain, ou seja, registrados diretamente em blockchain. Esses movimentos indicam que bancos, corretoras e empresas cripto estão, crescentemente, construindo sobre a mesma infraestrutura.

O que os números revelam sobre o futuro do DeFi

A convergência descrita pela CoinGecko sugere uma reconfiguração estrutural: o DeFi deixa de ser um nicho paralelo ao sistema financeiro para se tornar uma camada de infraestrutura que o próprio sistema tradicional passa a habitar. A tokenização de ações, índices globais, câmbio e commodities dentro de plataformas cripto transforma essas exchanges em híbridos entre bolsas de valores e protocolos descentralizados.

Se as projeções de Standard Chartered e Bernstein se confirmarem, o mercado que hoje soma US$ 6,6 bilhões pode representar apenas o estágio inicial de uma transformação de longo prazo na forma como ativos financeiros são emitidos, negociados e custodiados, com o blockchain como espinha dorsal comum entre mundos que, até pouco tempo, operavam em trilhos completamente separados.

Fontes: Cointelegraph.com News

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