WLD salta 8% com pedido de ETF da Grayscale na SEC — 21/07/2026

WLD salta 8% com pedido de ETF da Grayscale na SEC — 21/07/2026

O token WLD, da rede Worldcoin — projeto de identidade biométrica cofundado pelo CEO da OpenAI, Sam Altman —, registrou alta de cerca de 8% em 24 horas após a gestora de ativos Grayscale protocolar junto à SEC (Securities and Exchange Commission, o regulador de valores mobiliários dos EUA) um pedido de registro para o primeiro ETF (fundo de investimento negociado em bolsa) americano vinculado ao ativo. O token atingiu a máxima intradiária de US$ 0,387, embora permanecesse em queda de aproximadamente 5,5% na semana, segundo dados do CoinGecko.

O movimento coloca o WLD no centro do debate sobre o avanço da institucionalização de altcoins — termo usado para descrever criptomoedas alternativas ao Bitcoin — e segue uma tendência de gestoras buscando ampliar o leque de produtos cripto regulamentados disponíveis ao investidor convencional nos Estados Unidos.

Como funcionaria o Grayscale Worldcoin ETF e quais instituições estariam envolvidas

A Grayscale protocolou uma declaração de registro S-1 para o Grayscale Worldcoin ETF, batizado com o ticker GWLD e com previsão de negociação na Nasdaq. O fundo seria um veículo passivo — ou seja, sem gestão ativa —, projetado para rastrear o preço do WLD por meio do CoinDesk Worldcoin Benchmark Rate, conforme o documento de registro. O BitGo Bank & Trust ficaria responsável pela custódia dos tokens, enquanto o Bank of New York Mellon atuaria como agente de transferência e administrador.

Uma característica relevante do pedido é que ele foi enquadrado nos padrões genéricos de listagem da Nasdaq para trusts lastreados em commodities, o que significa que o fundo poderia, em tese, iniciar operações sem a necessidade de uma alteração separada nas regras da SEC — desde que o WLD atenda aos critérios de elegibilidade da bolsa. Por ora, o fundo ainda não pode ser negociado: é preciso que o registro entre em vigor e que o token supere a barreira de listagem da Nasdaq.

O protocolo Worldcoin, seus usos biométricos e o crescente interesse corporativo no WLD

O WLD é a 55ª maior criptomoeda do mercado, com capitalização de mercado de aproximadamente US$ 1,4 bilhão, segundo o CoinGecko. O protocolo Worldcoin — rebatizado apenas como “World” em 2024 — utiliza um dispositivo esférico chamado Orb para escanear a íris dos usuários, emitindo uma “World ID” destinada a comprovar que a pessoa é um ser humano real e não um agente de inteligência artificial, além de distribuir tokens WLD aos usuários verificados.

O projeto acumula histórico de escrutínio regulatório por conta de sua coleta de dados biométricos. Autoridades da União Europeia, além de países como Brasil e Quênia, já investigaram ou restringiram operações da rede por preocupações com privacidade. Ainda assim, o interesse institucional pelo WLD vem crescendo: no ano passado, a empresa de capital aberto Eightco, listada na Nasdaq, construiu o primeiro balanço corporativo centrado no token, acumulando uma das maiores posições divulgadas publicamente na criptomoeda.

A corrida da Grayscale por ETFs de altcoins e as fricções regulatórias globais que moldam o setor

A iniciativa da Grayscale é mais um capítulo na estratégia da gestora de expandir seu portfólio de ETFs cripto. Após converter seu trust de Bitcoin em ETF após uma vitória judicial histórica contra a SEC, a empresa lançou um fundo de Ethereum e já protocolou ou comercializa produtos atrelados a Dogecoin, Solana, XRP, Litecoin e Chainlink, entre outros. O pedido referente ao WLD representa, portanto, o avanço da corrida para trazer altcoins ao mercado regulamentado americano.

O movimento em torno do WLD ocorre em um contexto mais amplo de disputas regulatórias que afetam o setor de ativos digitais. No Reino Unido, o grupo parlamentar Crypto and Digital Assets All-Party Parliamentary Group (APPG) abriu uma investigação formal para apurar se empresas e consumidores de cripto enfrentam barreiras de acesso a serviços bancários. Segundo pesquisa de janeiro do UK Cryptoasset Business Council, dez exchanges relataram que bancos bloquearam ou atrasaram 40% das transações direcionadas a plataformas cripto, e 70% dos respondentes afirmaram que as restrições reduziram sua disposição de investir, expandir ou contratar no país.

O processo de expansão institucional de tokens alternativos, exemplificado pelo pedido de ETF do WLD, convive, portanto, com fricções regulatórias que ainda moldam o ritmo de adoção global do setor. Se aprovado pela SEC, o Grayscale Worldcoin ETF representaria a primeira forma de exposição ao token disponível a investidores comuns por meio de uma corretora americana convencional — um passo que, a depender do desfecho, poderá influenciar pedidos semelhantes para outras altcoins nos próximos meses.

Fontes: Cointelegraph.com News

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